Cigarros, charutos, palheiros, cachimbos. Quem frequenta ou conhece um terreiro de Umbanda já viu esses elementos sendo utilizados pelas entidades durante os trabalhos. E quem nunca esteve num terreiro, provavelmente já ouviu alguma explicação equivocada sobre o assunto.
Vamos esclarecer de uma vez o papel espiritual do fumo na Umbanda e explicar o que realmente acontece quando uma entidade usa a fumaça durante a gira.
Existe um boato que ainda se repete com frequência: o de que as entidades fumam e bebem no terreiro para suprir vontades ou vícios que carregaram em vida.
Essa ideia está errada, e é importante entender por quê.
Uma entidade de luz que desce a um templo religioso já passou por todos os processos de purificação divina. Vícios, dores e apegos terrenos não fazem mais parte de sua existência. O uso do fumo não tem nada a ver com necessidade pessoal da entidade (muito menos do médium).
O fumo no terreiro não é vício, não é costume e não é vontade. É ferramenta de trabalho espiritual.
O tabaco vem da natureza e carrega consigo a energia das raízes e da terra. Mais do que isso, ele representa a força dos quatro elementos: a terra e a água durante o cultivo, o fogo quando é queimado e o ar pela fumaça.
Dentro do ritual, essa combinação de elementos transforma o fumo em um instrumento de trabalho poderoso, capaz de atuar em diferentes dimensões de energias presentes no ambiente.
A fumaça é utilizada, principalmente, como escudo e proteção: tanto para o médium incorporado quanto para o consulente que está recebendo atendimento. Ela tem a capacidade de transportar diferentes tipos de energia, dependendo do trabalho que a entidade está realizando naquele momento.
Ao ver um caboclo soprar a fumaça diretamente em uma pessoa, o que está acontecendo é uma transferência de axé. A entidade está envolvendo aquela pessoa com sua própria energia, oferecendo proteção e força. A mensagem, traduzida em palavras, seria: “receba um pouco do meu axé, minha energia agora te envolve e te protege”.
Nesse caso, o movimento é de exteriorização. Durante o trabalho, a entidade absorve energias pesadas que precisam ser liberadas para que o médium incorporado não acumule essas cargas. Soprar a fumaça para fora é uma forma de descarregar e neutralizar o que foi recebido durante o atendimento.
A fumaça vai e volta com propósito. Quando envolve, protege e fortalece. Quando se dispersa, carrega o que não deve ficar.
O uso do fumo no terreiro é um dos temas que mais gera julgamentos por parte de quem não conhece a tradição. Mas todo preconceito nasce da falta de informação, e toda informação bem transmitida tem o poder de transformar essa visão.
Os elementos utilizados nos rituais de Umbanda têm fundamento, têm história e têm propósito. Conhecê-los é uma forma de respeitar a tradição e de entender que, dentro de uma casa de Axé, tudo que existe está a serviço de uma única finalidade: fazer o bem ao próximo.
O TUMBAE (Tenda de Umbanda e Espiritualidade) acredita que o conhecimento é o melhor caminho para quebrar paradigmas. Acompanhe o blog e continue explorando os fundamentos da Umbanda com clareza e respeito.