Uma gira de Umbanda não acontece por acaso nem por esforço individual. Ela é o resultado de um conjunto: cada pessoa presente, com sua energia, sua intenção e sua presença ativa, contribui para que tudo funcione da melhor forma possível.
Neste post, vamos falar sobre a corrente mediúnica: o que ela é, o que acontece energeticamente quando ela se forma e qual é a responsabilidade de cada um que faz parte dela.
Dirigente, atabaqueiros, cambones, capitães, médiuns, assistência. Cada um ocupa um lugar na gira, e nenhum desses lugares é mais importante do que o outro. Todos dependem de todos para que os trabalhos aconteçam.
A Umbanda carrega em sua essência valores como pluralidade, diversidade, solidariedade e caridade. Todo mundo está ali para fazer o bem ao próximo. E é exatamente quando todos dão as mãos que a corrente se torna real e palpável.
“CORRENTE MEDIÚNICA”, esse nome não é à toa. A corrente é a maior representação de trabalho em equipe dentro de uma casa de Axé.
Durante os rituais, diferentes tipos de energia circulam pelo salão, percorrem a gira e passam por cada médium presente. É nesse fluxo que a corrente exerce seu papel mais profundo.
Uma corrente concentrada e presente faz toda a diferença na forma como essas energias são trabalhadas, tanto no plano físico quanto no espiritual. E uma corrente dispersa, por outro lado, sobrecarrega a todos.
A disposição dos médiuns em formato de meia lua não é estética: ela tem um propósito energético muito preciso. Nessa formação, a energia circula continuamente, passando por cada médium como se passasse por uma série de filtros.
Energias pesadas que entram em circulação são progressivamente trabalhadas e neutralizadas à medida que passam pelos médiuns. Energias boas, por sua vez, são potencializadas nesse mesmo percurso.
Cada médium funciona como um filtro. Energias ruins são trabalhadas e se tornam nulas. Energias boas são amplificadas. Por isso, a qualidade da presença de cada um importa.
Fazer parte de uma corrente mediúnica é uma responsabilidade coletiva. Manter a cabeça firme, os pensamentos elevados e o foco voltado para os trabalhos é essencial, isso é ter cuidado com os irmãos.
Quando alguém perde o foco, desvia o pensamento, não cumpriu o preceito ou quebra a corrente fisicamente, o impacto é sentido por todos. O trabalho fica mais pesado, a circulação de energia é prejudicada e os médiuns ao redor precisam compensar o desequilíbrio.
Cantar os pontos com vontade, bater palma no ritmo certo, cuidar do irmão ao lado, estar atento a tudo que acontece no salão. Esses gestos, aparentemente simples, são a base do que significa ser um bom filho de Umbanda dentro da gira.
A corrente não se sustenta sozinha. Ela se sustenta pela soma de cada gesto consciente, de cada intenção elevada e de cada pessoa que escolhe estar presente de verdade.
Entender o que é a corrente mediúnica e como ela funciona muda a forma como você vive cada gira. O que parecia um detalhe passa a ser reconhecido como parte essencial do trabalho espiritual.
O TUMBAE acredita que conhecer os fundamentos da Umbanda é o que transforma a prática. Acompanhe o blog e continue aprofundando sua caminhada com conhecimento, respeito e consciência.